


Jorge Kishikawa conquista a primeira medalha (3.º lugar) do Brasil nas competições individuais no II Torneio Mundial Juvenil, em Tóquio, 1977.
Como é evidenciado nos resultados alcançados em torneios mundiais, o Brasil tem a tradição de bons resultados nas competições internacionais desde 1970, quando foi fundada a FIK:
Medalhas por equipes
* 1970 – 3.º lugar – I Torneio Mundial Tóquio - Atletas: Tomiyoshi Toita, Frederico Fujihara, Mitsuo Kimura, Yoshikata Kiyohara, Kosho Higashi, Ichiro Orui, Isao Murakami, F. Yamaasa, Y. Nagahashi e K. Takazawa
* 1977 – 3.º lugar – II Torneio Mundial Juvenil em Tóquio - Atletas: Jorge Kishikawa, Alberto Gyotoku e Hugo Gondo
* 1982 – 2.º lugar – V Torneio Mundial em São Paulo - Atletas: Yoshimi Kudo, Eiji Sugino, Hugo Gondo, Jorge Kishikawa e Roberto Someya
* 1985 – 2.º lugar – VI Torneio Mundial em Paris - Atletas: Oscar Hayashi, Yoshimi Kudo, Jorge Kishikawa, Roberto Someya e Roberto Kishikawa
* 1988 – 3.º lugar – VII Torneio Mundial em Seul - Atletas: Nelson Murakawa, Oscar Hayashi, Yoshimi Kudo, Roberto Kishikawa e Jorge Kishikawa
* 1997 – 3.º lugar – X Torneio Mundial em Kyoto - Atletas: Jogi Sato, Willian Fujikura, Flavio Hayashi, Roberto Someya e Roberto Kishikawa
* 2000 – 2.º lugar feminino – XI Torneio Mundial em Santa Clara, EUA - Atletas: Mayu Dan, Natsumi Miyazawa, Miwa Onaka, Patricia Sato, Saly Konishi
* 2000 – 3.º lugar masculino – XI Torneio Mundial em Santa Clara, EUA - Atletas: Kenji Toita, Willian Fujikura, Flavio Hayashi, Ernesto Onaka e Jogi Sato
* 2003 – Honra ao mérito – XII Torneio Mundial em Glasgow: Saly Stockl
* 2003 – Honra ao mérito – XII Torneio Mundial em Glasgow: Jogi Sato
* 2009 – 3.º lugar masculino – XIV Torneio Mundial em São Paulo, Brasil - Atletas: Coichi Urano, Heiji Kariya, Alberto Takayama, Zen Tachibana, Ernesto Onaka, Kenji Toida e Jogi Sato
* 2009 – 3.º lugar ferminino – XIV Torneio Mundial em São Paulo, Brasil - Atletas: Kyoko Takeuchi, Harumi Tsukamoto, Izumi Honda, Erika Ashiuchi, Lie Toida, Natsumi Miyazawa e Miwa Onaka
Medalhas individuais
* 1977 – 3.º lugar – II Torneio Mundial Juvenil em Tóquio: Jorge Kishikawa
* 1977 – Honra ao mérito – II Torneio Mundial em Tóquio: Jorge Kishikawa
* 1985 – Honra ao mérito – VI Torneio Mundial em Paris: Roberto Kishikawa
* 1985 – 1.º lugar nas categorias 2.º e 3.º dan – VI Torneio Mundial em Paris – Goodwill matches: Roberto Kishikawa
* 1985 – 2.º lugar nas categorias 4.º e 5.º dan – VI Torneio Mundial em Paris – Goodwill matches: Jorge Kishikawa
* 1988 – Honra ao mérito – VII Torneio Mundial em Seul: Jorge Kishikawa
* 1988 – Honra ao mérito – VII Torneio Mundial em Seul: Roberto Kishikawa
* 1994 – Honra ao mérito – IX Torneio Mundial em Paris: Roberto Kishikawa
* 1997 – Honra ao mérito – X Torneio Mundial em Kyoto: Roberto Kishikawa
* 1997 – 2.º lugar – X Torneio Mundial em Kyoto: Miwa Onaka
* 2000 – Honra ao mérito – XI Torneio Mundial em Santa Clara: Miwa Onaka
* 2003 – Honra ao mérito – XII Torneio Mundial em Glasgow: Miwa Onaka
* 2006 – Honra ao mérito – XIII Torneio Mundial em Taiwan: Miwa Onaka
* 2006 – Honra ao mérito – XIII Torneio Mundial em Taiwan: Ernesto Onaka
* 2009 – Honra ao mérito – XIV Torneio Mundial em São Paulo: Lie Kimura
* 2009 – 3.º lugar – XIV Torneio Mundial em São Paulo: Eliete Harumi Takashina
Organização do kendo
No mundo
Em 1970 foi fundada a Federação Internacional de Kendo (IKF), com sede no Japão.
Em 2006 a IKF passou a fazer parte da General Association of International Sporting Federations (GAISF), entidade máxima do esporte mundial, que congrega entidades de diversos outros esportes (como FIFA, FIBA, FIVB) e artes-marciais (como Federações Internacionais de Aikidô, Judô, Jujitsu, Karatê). A partir de então a sigla IKF foi alterada para FIK.
São mundialmente regidos e regulamentados pela FIK as atividades de kendo. Até 2009 haviam filiados na FIK 50 entidades representantes de países. Entre estas, podemos citar:
* ÁFRICA: África do Sul
* ÁSIA: Coréia, Rep. Popular da China, Japão, Malásia, Hong Kong, Taiwan, Macao
* AMÉRICA: Argentina, Aruba, Brasil, Canadá, Chile, Equador, EUA, Havaí, México, Rep. Dominicana, Venezuela
* EUROPA: Alemanha, Andorra, Bélgica, Bulgária, Espanha, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Holanda, Hungria, Irlanda, Israel, Itália, Montenegro, Noruega, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia, Russia, Servia, Suécia, Suíça
* OCEANIA: Austrália, Nova Zelândia
No Brasil
Como fatos marcantes que acompanham o crescimento do kendo no Brasil, podemos citar:
* outubro de 1981 – criação a Federação Paulista de Kendo (FPK).
* 29 de julho a 3 de agosto de 1982 – o Brasil é país-sede do 5.º Campeonato Mundial de Kendo, realizado na cidade de São Paulo.
* agosto de 1998 – é criada a CBK, tendo como filiadas fundadoras: Federação Paulista de Kendo (São Paulo), Federação de Kendo do Estado do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), Associação Metropolitana de Kendo (Brasília), Associação Kendo Shinko-kai de Londrina (Paraná).
No Brasil a CBK é reconhecida pelo Ministério dos Esportes como entidade reguladora da prática do kendo, sendo também a representante da FIK no país.
Existem mais de trinta Dojos de kendo filiadas à CBK, distribuídas por todas as regiões do país. A prática está mais desenvolvida no Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Pernambuco, Espírito Santo, Mato Grosso, Pará e São Paulo (onde há a maior quantidade de praticantes) Também existem grupos organizados que treinam kendo sob a orientação da CBK em estados como Minas Gerais, Alagoas, Bahia e Paraíba, entre outros. Em 2008 são mais de 900 praticantes de kendo nos Dojos ligados à CBK, em todo o Brasil.
De acordo com indicação da CBK, o ensino do kendo não pode assumir caráter profissional ou comercial. Desta maneira, entre os Dojos filiados à CBK, não é permitida a cobrança para o ensino do kendo, salvo a quantia necessária para manter as atividades do Dojo (academia). Existem também Dojos onde o ensino é gratuito, como em São Carlos/SP.
Existem no Brasil alguns grupos e entidades que realizam a prática do kendo fora dos parâmetros da FIK. Em geral estas entidades fazem o estudo do kendo junto com a prática de estilos tradicionais (koryu).
Na Confederação Brasileira de Kobudo (CBKob) o kendo é ensinado na prática do kenjutsu. A partir de 2009 também passou a se treinar Nihon Kendo Gata. Existem aproximadamente 50 Dojos do Instituto Cultural Niten afiados à CBKob, com aproximadamente 800 alunos. Foi fundado pelo Sensei Jorge Kishikawa, 7º dan Kyoshi de Kendo, que foi no passado uma referência do Brasil no kendo, mas que se desligou da CBK formalmente em 2007, continuando a divulgação da modalidade através da CBKob.
Na Associação Japonesa de Santos (AJS), na cidade de Santos-SP, o estilo Shinto-ryu (fundado por Sensei Raifu Hibino) da linhagem de Akira Tsukimoto (Tsukimoto-ha) é ensinado por Sensei Adriano Pereira da Silva (conhecido como "Sojobo", responsável pelo desenvolvimento da linhagem), com dojos afiliados em São Paulo. O dojo Shokakukan, localizado também em São Paulo, sob supervisão de Sensei Marcelo Haafeld Pereira da Silva (ex-shihandai, irmão de Sensei Sojobo), também ensina o mesmo estilo - e mesma linhagem - apesar de não estar mais vinculado com Sensei Sojobo.
Em Portugal
Em Portugal a representante da FIK é a Associação Portuguesa de Kendo (APK).
De acordo com a APK, até 2008 os Dojos filiados eram. Lisboa, Porto, Coimbra e Faro.
Na América do Sul
Em novembro de 2002 é criada da Confederação Sul-americana de Kendo (CSK), tendo como filiadas fundadoras: Confederação Brasileira de Kendo, Federação Argentina de Kendo, Federação Chilena de Kendo.
Atualmente, fazem parte da Confederação Sulamericana de Kendo: Argentina, Brasil, Chile, Equador, Colômbia, Aruba, México, Peru, Guatemala, Venezuela e Uruguai.
A prática
A prática do kendo não se limita ao manejo da shinai (espada de bambu), Bokuto (espada de madeira) ou katana (espada longa japonesa), mas abrange também a prática e cultivo do espírito e do Reigi (etiqueta).
Nesse sentido, o item 3 do artigo 6, do capítulo "Supplemental Provisions of FIK Constitution" discorre que "No caso em que o ensino do kendo é utilizado de má fé para qualquer propósito comercial", há razões para pedido de expulsão de um membro.
O ken (espada) é estudado de duas formas: prática (shiai) e o kata.
Objetivo da prática de kendo
* Não golpear pontos incorretos.
* Não desperdiçar golpes.
* Golpear atacando e quebrando a postura do adversário.
* Golpear com destemor, 'sem pensar na morte'
Kamae
Há cinco diferentes Kamae (posturas de combate) em kendo, com um número de variantes. Segundo a AJKF, temos as seguintes definições:
1. Chudan no Kamae: Este é o mais básico e fundamental Kamae, e serve como a raiz de todos os outros.
A espada é posicionada a frente do corpo, apontando para a garganta do oponente e buscando manter a linha central.
Chudan também é conhecido como o Kamae de água devido à sua flexibilidade e capacidades adaptativas. Um forte Chudan no Kamae serve tanto para produzir um forte ataque como uma defesa impenetrável.
Variantes:
* Seigan no Kamae. Esta variante do Chudan é utilizada quando se enfrenta um adversário que está na Jodan no Kamae. A ponta da espada é posicionada mais alto que no chudan padrão.
* Kasumi no Kamae: Junto com Seigan no Kamae, é atualmente utilizado em lutas contra Hidari Jodan no Kamae ou contra Nito-ryu. NEsta variante, a linha central é deslocada para a direita do lutador, protegendo assim seu kote direito.
* Chudan Hanmi no Kamae: Esta variante do Chudan é tomada quando se utiliza Shoto, e pode ser visto na Kodachi no Kata: Ipponme.
* Chudan Iri-Mi no Kamae: Outra variante para Shoto, que pode ser vista no Kodachi no Kata: Nihonme.
2. Jodan no Kamae: Também conhecido como "Hi no Kamae" (Kamae de fogo) ou de "Ten no Kamae" (Kamae do Céu) é um kamae agressivo, tanto espiritualmente e fisicamente.
A espada é segurada acima da cabeça, em um ângulo que varia de 45 a 20 graus.
Quando se utiliza Jodan, podemos pressionar o oponente com seus ataques, assim como com o seu espírito. A eficácia da Jodan é dependente mais do aspecto espiritual do que físico, daí Jodan é considerado um "Kokoro no Kamae"; uma atitude ou mentalidade.
Variantes:
* Morote Hidari Jodan: Esta é a forma normal de Jodan, onde o pé esquerdo está na frente e a shinai em um ângulo de cerca de 30 graus para a direita.
* Morote Migi Jodan. A segunda versão do Jodan. Os pés são os mesmos que em Chudan e o shinai é segurada reta sobre a cabeça.
3. Gedan no Kamae: Gedan no Kamae também é conhecido como o Kamae da Terra.
Nesta postura, a ponta da espada aponta em direção ao solo, abaixo da linha dos joelhos.
Embora possa parecer-se com uma postura defensiva, é uma postura capaz de atacar adversários, impedir um ataque flagrante e criar oportunidades. Também ajuda a disfarçar a intenção do lutador. Muitos vão usar Gedan no Kamae como uma transição da Chudan no Kamae para um ataque de Tsuki. Segundo o livro "Kendo Fundamentais": "O Gedan no Kamae é usado quando você baixar o kensen e, ao mesmo tempo que protege o seu próprio corpo, evoluir para um ataque que está em conformidade com os movimentos e as ações do adversário."
Variantes:
* Gedan Hanmi no Kamae. Encontrado no Kodachi no Kata: Sanbonme.
4. Hasso no Kamae: Hasso no Kamae também é conhecido como o Kamae da Madeira. A espada fica posicionada ao lado direito do corpo, com a ponta voltada para cima, em um ângulo que varia de 20 a 90 graus em relação ao solo. Quando assume-se Hasso no Kamae, ele deve ser reto e forte como uma árvore, capaz de respeitar os seus adversários "de cima". Hasso é considerada uma variante do Jodan no Kamae, e portanto é uma postura agressiva.
Variantes:
Existe Migi e Hidari Hasso no Kamae. Utilizados, em geral, como transição para um ataque Jodan Kara "falso", ou como uma modificação de Katsugi Waza (Kotê-Men).
Hidari Hasso no Kamae é uma variante mais rara desta postura, onde a espada fica ao lado esquerdo do corpo. Não é praticado dentro dos katas de kendo.
5. Waki Gamae: Waki Gamae também é conhecido como o Kamae de metal ou a Kamae de Ouro, indicando uma espécie de "preciosidade escondida". Esse Kamae pode ser visto no Nihon Kendo Gata: Yonhonme, e no Kodachi no Kata Nihonme.
Neste Kamae a espada fica oculta à direita do corpo, as mãos na linha da cintura. Tem como objetivo esconder do adversário o tamanho da espada e a trajetória que irá tomar. Praticamente sem uso no kendo, especialmente pelo fato das espadas possuírem tamanho padrão nas lutas.
Cada um dos diferentes Kamae acima citados tem as suas origens nas técnicas desenvolvidas em campos de batalha. Hoje são praticados no Kata e Shiai, ajudando a manter os laços entre kendo moderno e suas origens.
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