
Sabe-se que técnicas marciais são muito mais antigas que qualquer registro histórico, porém sabe-se que no século V a.C um monge indiano de nome Bodhidharma peregrinou a China no intuito de ensinar técnicas de relevância espiritual tais como meditação e técnicas respiratórias. Ao perceber que os alunos não suportavam as longas horas de aprendizado, decidiu passar para eles movimentos de fortalecimento dos músculos e articulações, como se fosse uma ginástica, tal qual a conhecemos. Acredita-se que estes movimentos possuem outra origem que não a chinesa, mas nada pode ser constatado de fato. A China sempre esteve em guerras internas, rebeliões e golpes de estado, e também guerras contra outros povos que pretendiam dominar o gigante asiático e suas riquezas. Os monges, assaz determinados em suas disciplinas, acabaram por tornar-se exports em técnicas de luta, que em algum momento da história, deixou de ser terapêutica e evolutiva e passou a ser marcial e combativa, com isso ajudando imperadores a suportar os ataques inimigos. O mais famoso dos templos é o de Shaolin, mas muitos outros também tiveram papel importante na história da China como templo de Wudang. A palavra kung fu significa, entre outras coisas, ter habilidade, então denominou-se, aquilo que os monges demonstraram, de kung fu.
O kung fu não é uma semente, o kung fu é a água que rega a semente, assim as possibilidades de sementes germinarem no kung fu são imensas, soma-se a isto a grande capacidade do ser humano de criar, modificar e descobrir um universo de possibilidades, brotando uma gama enorme de estilos e técnicas, todas ramificadas das técnicas terapêuticas entregues por Bodhidharma, ao qual provavelmente, também recebeu como aprendizado de alguém. Buscou-se como fonte inspiradora a mãe natureza, repleta de situações de luta e sobrevivência, onde monges e mestres copiaram a sagacidade de determinados animais em lidar com as situações de conflito. O Kung fu passou a representar, espiritualmente, a força destes animais e sua sabedoria em sobreviver às adversidades.
Um destes animais foi o leão da montanha, que em 1664 um mestre chamado Ch'an P'iu P'ao (nome em cantonês) resolveu atribuir as qualidades deste felino, adaptando as características do animal, ao pensamento e comportamento humano, bem como as suas necessidades. Na realidade não é querer ser o animal, até porque é improvável fisicamente, mas sim captar o espírito de vitoria e luta do animal, atacar na hora certa, atacar se realmente precisar, visto que um leão ataca para defender interesses que podem pôr em risco sua evolução neste planeta. E imitando o espírito do animal, conseguir ser humano, muito mais humano que normalmente seriamos, pois ao conhecer o mal e seu poder, pendemos para o lado do bem.
O leão da montanha é chamado de kak kan (cantonês) e atualmente mantém suas origens como treinamento de evolução e sobrevivência, mas adaptou-se e seguiu os princípios mutáveis do Universo, onde aquilo que não se transforma, definitivamente morre. Então o kak kan suporta treinamentos competitivos, wushu (campeonato de kung fu) submission (campeonato de luta agarrada, jiu jitsu, wrestling, entre outras) e o vale tudo (MMA Mix Marcial Arts), pois o verdadeiro treinamento de kak kan é para ser usado contra outro lutador. Ainda hoje enfrentamos barreiras referente a isto, pois muitos mestres acham que devemos nos submeter a técnicas, que antigamente funcionavam devido a época, mas que atualmente não tem o menor sentido, senão aquele do velho mestre Bodhidharma, onde tudo que se é treinado fisicamente é apenas para ser usado na evolução mental e espiritual, mas não esqueçamos que se ele estivesse vivo atualmente, fisicamente falando pois o kung fu o mantém vivo, ele mudaria muitas de suas teorias e as adaptaria para o momento atual e para o povo ao qual estaria ensinando, como na natureza, que tudo tem seu devido lugar, tempo e circunstância. O kak kan kung fu pegou o treinamento passado e o atualizou para o momento presente, deixando de lado o trivial do estilo e mantendo o que ainda hoje, mesmo criado há 345 anos atrás, funciona. Ser um kak kan é também saber conhecer a beleza de determinados momentos. Leões brincam com seus filhotes enquanto descansam, e nós praticamos katys, fonte de técnicas para nós, mantendo o homem no seu devido lugar.
Esse estilo deu origem a vários.
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